sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Entes Fantasmagóricos

ENTES FANTASMAGÓRICOS DE UM PASSADO TRISTE


Foram, antes de tudo, discretos.
Receberam uma educação sublime
(e, além do berço, alguma herança... ou falcatruas).
Fizeram ouvidos moucos aos acontecimentos políticos.
Votaram sempre a favor dos nossos algozes
mesmo quando havia no ar uma reviravolta possível.
Nunca ergueram a voz em protesto
nem gritaram contra injustiças.
Hoje quando perceberam
que,irreversivelmente as mudanças
se fizeram possíveis
dizem cinicamente: eu contribui com tudo isso.
Fizeram-se então, como fogo-fátuos
de pequenas miragens, presentes nas histórias alheias.
Tentam desfilar, ainda, como suprassumos da modernidade
e como oposição arrotam arrogâncias
apesar de não entenderem
porque o futuro de seus filhos
graças a eles, pode estar comprometido.
Se nutrem de golpes e se dizem democratas*
Canalhas! Canalhas! Canalhas!

Frases acrescidas em 2016

17/02/08

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Aos Idiotas

(do grego idiotis que significa aquele que despreza tudo que é público, alienado)

O idiota é um imbecil
não se deprime
pois se acha o máximo
julgando-se acima do bem e do mal
não se lamenta, nem se culpa
pois é desprovido de autocrítica
(em altos brados vangloria-se de seus próprios feitos)
não aceita conselhos
nem ouve a voz ao lado
mesmo que depois assuma
como suas, ideias alheias.
Normalmente tem alguma cultura
senão se escorregaria no limbo da ingenuidade
(prerrogativa dos loucos e dos bem-intencionados)
medíocre e chulo, não é digno de confiança
nem passível de pena e sim, desprezo.
O idiota é um estorvo social,
mas nunca perceberá isso.


                                                                                                         
 José Araujo
30/01/10

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Investir na Rebeldia



Vamos investir na pura rebeldia?
Nessa sociedade moralista,
hipócrita e conservadora,
que tem medo de crianças da periferia
e guarda às suas há sete chaves em colégios moralistas.
Que tal falarmos aos nossos filhos que o céu não existe
e que a catequização faz parte dessa enganação?
Podemos assumir que o papai noel nunca cruzou os trópicos
e que o saci-pererê nunca fez mal a fada madrinha.
Que é impossível ser filho de virgem e ressuscitar no terceiro dia.
Será que não forjamos tais mitos para perpetuar outros ainda piores
como aquele em que os pretos não tinham alma, para podê-los escravizar?
Ou que a pobreza é certificado de inferioridade?
Será que a redução da maioridade penal  fará
que a sociedade se ache mais aliviada desse mórbido peso?
Mas  conseguirá aliviá-la dos engôdos dessa hipocrisia,
que só matará a inocência daqueles,
que um dia, acreditaram nisso tudo?
Digam: vocês tem certeza de darem aos seus filhos
algo palpável, com tal enredo ?
Não é preferível deixar eles acreditarem no que quiserem?
Acreditam ainda que tais fábulas que vocês ensinam
farão dos filhos dos outros pessoas melhores
ou aliviarão vocês da culpa de terem vilipendiados seus próprios filhos?
Será mesmo que eles não dormiriam tranquilos sem tais subterfúgios?



segunda-feira, 13 de julho de 2015

A Magia dos símbolos

A MAGIA DOS SÍMBOLOS


De onde vêm os símbolos, vamos raciocinar pragmaticamente sobre eles? Vou teorizar sobre apenas três.
Um dos símbolos que representa a civilização ocidental já ultrapassou há séculos os muros que separam o ocidente do oriente, é a aliança de noivado. Um círculo banhado a ouro que é aceito pelo casal em sinal de compromisso e perseverança.
Outro símbolo que também significa compromisso, e nesse caso, com o escambo ou troca de mercadorias, ou seja, com o mercado em sua primitiva forma, é a moeda. Cunhada na antiguidade virou símbolo do capitalismo e tornou o mundo financeiro mais ágil e dinâmico. Depois da revolução industrial o mundo não mais vive sem dinheiro (diga lá a Grécia à beira de um colapso financeiro imposto pelos sangue-sugas do imperialismo globalizante).
Um terceiro símbolo também secular, seria a pólvora que simbolicamente representaria a Luz!
Tomemos estes três símbolos: união, ostentação e advir.
União: espiritual entre os noivos e a sociedade baseada na família tradicional; a ostentação: o sonho capitalista do lucro e ascensão social; o advir: a luz que leva humildes homens a crerem numa vida além túmulo.
Não seriam menos profícuos numa simbologia cheia de signos e significações.
Vejam: três alianças poderiam significar a trindade divina, o ser supremo multifacetado. Três moedas (talvez de prata), dinheiro que tornou-se sangue e poder , que paradoxalmente sangra e paralisa o mundo, seria a matéria quântica que ascende o espirito, intermediária entre o humano e o divino, o limiar da beatitude.
Finalmente três palitos (embora a pólvora estaria na caixinha e não no palito), frutos do labor humano, ligado à terra e sua primeva decadência de um paraíso terrestre negada a Eva que queria apossar-se do conhecimento, da árvore do bem e do mal. Tal símbolo poderia selar a comunhão com o Empireo, se consonante e temente, celebrasse com os dois primeiros o ritual da salvação.

Talvez Jung, agora desencarnado _em outros devaneios_ conseguisse com sua mestria e eloquência proclamar, num miríades de combinações possíveis, os fundamentos de uma nova psicanálise que apaziguaria, enfim, o espírito conturbado do homo sapiens, já desconfiado de sua eternidade.

Conclusão: Os símbolos surgiram antes da invenção de escrita, uma forma de comunicação do homem das cavernas  com seus familiares e com a tribo e depois uma maneira esotérica de entrar em contato com o sobrenatural. Com o passar dos anos foram se sofisticando até chegarmos  a forma lúdica, como o Tarô, por exemplo,  que surgiu como um jogo na Alemanha no século XV e em vários países da Europa e reapareceu,  séculos depois como um artifício mágico de adivinhação. Toda mistificação de símbolos surge deste modo e cai nas mãos de oportunistas e charlatães que se enriquecem graças aos incautos que caem em suas artimanhas sobre adivinhações e cursinhos pseudos científicos. O que propus acima é demonstrar como podemos conferir um significado a quaisquer objetos e transformá-los em amuletos mágicos com as mais variadas interpretações.

sábado, 4 de julho de 2015

Eras Tu

(À Ivone, minha esposa, amiga e companheira)

Comigo caminhas há tanto tempo
Que já me acostumei c’a tua presença.
Esqueci-me, então, do gélido vento
Da antes estéril e vazia existência.
Se num começo, que se faz distante,
Não sabia avaliar tamanha dádiva,
Hoje, imensurável e lancinante,
É a paixão que flui em minh’alma que ávida
Se entrega aos teus carinhos; e, no entanto
És tu que a mim se entrega na verdade,
Pois sabes deixar-me com os encantos
de teu amor, enlevado de vaidades.
Tens tanta ternura dissimulada
Em gestos firmes, que tão bem escondes,
Que sou eu e não tu, que só andas se levada;
E sem ti, se ando, é sem saber por onde.
Pois, quem eu, solitário, procurava
E desatento não a percebi chegar,
Eras tu que de fato me amparavas
E assim guiando-me, ensinaste-me a te amar.

domingo, 14 de junho de 2015

DIVERSIDADE

Nós , devemos:

aos árabes o renascimento
aos judeus, a religiosidade
aos indígenas, nacionalidade
aos lusitanos a europeia linhagem

aos romanos, a lei e o direito
aos gregos a filosofia
aos semitas,a civilização
aos africanos nossa origem

aos animais,a sobrevivência 
e as bactérias toda eugenia
e mais: ao sol nossa energia
e as estrelas a existência.

                                       A todos... Gratidão.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Pirei

Pirei


Dois terços do mundo acreditam em Brama
(deus hindu de várias cabeças), e em uma trindade
que se auto geriu (Brama, Shiva, Vishinu),
em Buda (que não crê em nenhum Deus), em Alá
(que foi revelado por um anjo a um guardador de camelos,
que acabou conquistando metade do mundo
e se contrapondo ao Deus dos Judeus).

Um terço do mundo é cristão e crê, em pleno século XXI,
que uma virgem pariu um homem que, morto, iria ressuscitar.
Criaram também sua trindade para poder explicar o inexplicável.

Num lado do mundo viaja-se até Meca
para se supliciar numa terra de ninguém,
ou auto se punem, ou fazem yoga,
ou se matam para serem saciados por mil virgens.
E outra parte _ nutrindo um ódio mortal pelos primeiros_
lamentam-se batendo a cabeça em um muro.

Outros, deste lado do mundo,
esfolam-se em escadas imensas,
cumprindo promessas a seus santos.
Aliás, santos esses negados por outros milhares,
que oram com o mesmo livro sagrado
e doam seus bens terrenos
acreditando que os terão de volta ainda em vida.

Porra!Quase 99% da humanidade estão envolvidos em algo
que, acintosamente, depõe contra a minha sanidade.

30/10/2009