sexta-feira, 29 de julho de 2016

Vivemos um Tempo


Um tempo

no qual a filosofia está morta

e a psicanálise


 se perdeu

antes de nascer.

Onde toda psicologia

perde terreno para seitas midiáticas

que destroem o que se podia se chamar de alma

e compram, sem escrúpulos

todo espírito, toda ética, todo homem.

E esse ser manipulável

perdido em sua finitude

desconstruído de toda pureza

cai, impotente

diante de todo cientificismo

onde toda superstição

ganha “status” de civilidade

e em nome de tal civilidade

todo pseudo saber torna-se possível!

11/07/2015



terça-feira, 28 de junho de 2016

O papel da imprensa hoje e a História


Defender a democracia vai além de suas ideias de governo ou Estado; vai além até de suas convicções políticas, ou de suas preferências eleitorais. O que está em jogo, hoje, no Brasil, é desmascaramento de toda tentativa de golpe da casa-grande contra a senzala; da elite (livres de impostos e dona do poder) contra o povo.
Vamos ponderar: na verdade a tentativa de obstrução da lava-jato, causa da queda dos ministros do governo golpista, não passa de um segundo plano, quase uma desculpa para a mídia se achar indignada com os desacertos de Temer (e, lógico, com o vazamento recente do conluio golpista).
O golpe, já orquestrado no mensalão e frustrado pelas urnas em 2006 e pela popularidade inconteste de Lula em 2010, é o que foi parido agora, gestado pela casa-grande (tupiniquim e de fora), em anos de um duro parto. Se para chegar ao poder Lula teve que ceder aos conglomerados financeiros e empresariais, fato sabido por todo mundo, no poder, mesmo assumindo esse conluio, fez os avanços sociais possíveis que (se pífio para parte das esquerdas), tirou o país do mapa da fome e colocou o Brasil no cenário internacional.
Os retrocessos propostos pelo governo ilegítimo, não é nada mais nada menos que a volta ao lugar _ para os golpistas midiático-jurídico-parlamentar_ do qual nunca deveríamos ter saído. (Impossível seria que tal "tramóia" tivesse êxito com a popularidade presidencial às alturas e um Congresso capaz de uma mínima resistência). Com a volta de Dilma, cujo cenário cada dia mais se vislumbra, será preciso repensar o país e conclamar a nação para a luta sem tréguas contra a rapinagem do capital. Recolocar-se no poder sem enfrentar essa batalha, será, de novo, uma vitória inglória e historicamente nula. Uma vitória de Pirro e hoje, sem sentido algum! O pacto tem que ser com o povo, mesmo correndo o risco de perdemos nas urnas!
Qual está sendo o papel da mídia, então? 
Se dependesse da direita, seus pensadores e formadores de opinião, não haveria nem a Revolução Francesa, uma revolução burguesa contra o Antigo Regime, nem o abolicionismo no Brasil. Eles sempre estiveram a reboque dos acontecimentos. Hoje, Globo, Estadão e outros só mudam de lado quando não existem mais o que defender no outro lado. Foi assim em 1964, quando essa mesma mídia chamou o golpe militar de revolução democrática e só mudou de postura quando a censura dos golpistas se virou contra ela (a Globo, então, só reconheceu seu erro, ou seja, só mudou de postura com o retorno da democracia). Num arrependimento falso e tardio.
Agora, o golpe branco em curso, não é apenas golpe por que Dilma não cometeu crime algum, mas também e principalmente, se dá pelo fato dos donos do poder não aceitarem avanços democráticos e sociais, nem a ascensão da esquerda no Brasil . A grande mídia vassala não deixará as barricadas do atraso, antes que tais barricadas deixem de existir. Combater ideias progressistas, antes que elas virem senso comum, é o papel da burguesia ao longo da História.
Só nesse sentido se pode compreender posicionamentos, como o do jornalista do Estadão, que critica os historiadores por se colocarem contra o golpe, revelando o que está por trás de toda crítica da direita midiática.
A direita só faz história "a posteriori", ou seja, só a justifica, ou se justifica, denegrindo-a com dados que se contrapõe a civilidade, ou ao avanço civilizatório da história. Quantos jovens, hoje, veem Che Guevara como assassino, _lendo nas cartilhas de seus pais _ por que nunca leram ou souberam o que foi a guerra fria e as revoluções contemporâneas? A grande mídia, representante da elite e de seu conservadorismo, sempre combaterá os avanços da sociedade na História.
Ou seja, tentarão anular a resistência do povo o máximo possível, até que suas rédeas, por demais esticadas, se rompam de vez.








sábado, 7 de maio de 2016

Pesadelo de uma Noite de Inverno


"Tudo que viram no palco, não passou de um sonho" 
( "Sonhos de uma noite de verão" - Willian Shakespeare)

Tudo que viram  no Congresso é mais que um simples pesadelo.


Em junho, talvez antes,
nas sombras da democracia
_ nas trevas que se fizerem visíveis_
o Brasil terá outro nome:
em vez de Republica Federativa do Brasil,
será República Evangélica Brasileira.
Neo-pentecostal, terá a Bíblia como constituição
e a intolerância como regra.
Gays, comunistas e ateus serão proscritos
de toda garantia da lei e da ordem.
(Supérfluo falar de "putas-pobres-pretos").
Nas escolas, a bíblia vertida em regras sociais,
o evolucionismo será proibido e
 toda laicidade abolida.
Bobagem?
Diga-se mais: Todo entreguismo será permitido.
(Tio Sam é religioso
e segue a máxima de São Francisco de Assis :
" É dando que se recebe"
ou como disse Jesus:
'' O reino dos céus é como um comprador
que procura pedras preciosas").
Será interessante indagar quem receberá
de mãos beijadas tudo isso?
Do pré-sal aos bancos estatais?
E lá estamos nós: da dignidade construída
à pedintes de favores públicos.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Leveza do Ser Masculino*




Freud escreveu que foi reprimido no homem, uma vez que a convivência tribal acabou por forçar o estabelecimento de tabus: o canibalismo, o incesto e o bissexualismo, para que fossem possíveis a sobrevivência e a perpetuação da raça. Que tais proibições tivessem o aval religioso e se transformassem em leis divinas foi uma questão de tempo. Dificilmente haveria outro artifício mais eficiente.
Se quanto ao canibalismo, o avanço da civilização humana (refiro-me ao pastoreio e depois a revolução agrícola que proporcionou o acúmulo e estoques de produtos) fala por si só, o incesto, apesar de trazer degenerências cerebrais e na anatomia humana (tabu ainda hoje, pouco discutido pela sociedade e até onde eu sei, pela própria ciência médica), era inevitável quando a raça humana era composta de tribos, muito pouco maiores que uma grande família. (Darwin, no século XIX, preocupado com sua própria família _ que tinha casamentos entre primos próximos _ pesquisou muito isso. No entanto, suas pesquisas pouco foram divulgadas ou estudadas. Deu-se mais ênfase a teoria da origem das espécies, o evolucionismo, um trabalho bem mais intenso e que o tornou famoso). Portanto, proibir o incesto, depois que a população humana expandiu-se pela Terra, era biologicamente natural e necessário e tal transgressão passou a ser imperativo para a proteção da família e da moral religiosa.
Porém, quanto ao bissexualismo, Freud chegou em suas pesquisas e intuição a algo que vai além da psicanálise e, acredito, entra no campo da biologia** e da genética humana. Ou seja, somos todos bissexuais, ou fomos, nos primórdios da infância. Eu, você e até (e principalmente ) Bolsonaro, pois está implícito que todo homofóbico carrega uma bissexualidade reprimida e que se manifesta com agressiva violência quando provocada por cenas homo-afetivas. Se nos mantemos sexualmente héteros é devido a repressão, como escreveu Freud e ao desenvolvimento de características intrínsecas e anatômicas dos gêneros, digo eu. Com isso não quero dizer que bissexualidade é algo que está sendo oculta pelo sexo masculino ou por todos os homens e mulheres, não gays. Ou seja, todos que se dizem héteros não estão enganando a si mesmo e dificilmente consentiriam uma relação homossexual. Mas, vale lembrar, sempre negamos nossos próprios medos.
Um estudo sobre alcoolismo, citado no livro “ História da psiquiatria” é revelador . Segundo seus autores Franz G. Alexander e Sheldon T. Selesnink, publicado em 1965, discorre sobre os efeitos do álcool (e outras drogas, também desinibidoras): “Os primeiros psicanalistas que discutiram o alcoolismo acentuaram o efeito desinibidor da droga; reduz repressões e permite expressão mais livre de desejos opostos ao ego, em sua maioria infantis (…) Entre as tendências reprimidas que os primeiros pesquisadores psicanalisticos observaram mobilizar-se sob a ação do álcool, estavam os desejos de dependência oral e os desejos homossexuais passivos latentes. Impulsos heterossexuais e hostis reprimidos ou inibidos foram também mencionados por vários observadores”. Ou seja, não é regra; mas pode explicar Sodoma e Gomorra bíblicas, a sociedade da Grécia antiga _ onde o bissexualismo era permitido e até incentivado nas classes mais abastadas_ a própria homofobia e suas atitudes de intolerância e ódio. Para aqueles que concebem o homossexualismo como doença e advogam sua possível cura ou aos evangélicos que bradam a sua exorcização, aconselho se aprofundarem na literatura, tão extensa, sobre o tema e talvez assim seus recalques possam ser melhor trabalhados e, finalmente, deixarão em paz a vida alheia.

  • 1. Freud, até onde li, não se refere a homossexualidade feminina, e as pesquisas dos autores de “História da Psiquiatria”, que citei, se restringem ao universo masculino.
  • 2. Se eu não estiver falando bobagem, do pouco que entendo de genética e reprodução humana, dos 46 cromossomos que legamos no ato da fecundação: 23 do espermatozoide e 23 do óvulo, geneticamente, o filho recebe da mãe um cromossomo X (feminino) e do pai um cromossomo Y (masculino); a filha recebe do pai e da mãe dois cromossomos X, um do pai, outro da mãe.


segunda-feira, 18 de abril de 2016

Foi*

Não foi num fim de tarde
foi numa péssima hora.
Não foi uma página virada
foi uma catástrofe.
Não foi um novo advento
foi uma tragédia.
Não foi uma estrela guia
foi um meteoro.


(* Divagações póstumas de um dinossauro)

sexta-feira, 11 de março de 2016

Fragmentos da História

Como e porque se criam fábulas.

I – SÓCRATES, morto por ingestão de cicuta pelos governantes de Atenas ( sec. V a.C)

Sócrates _ Existem dois tipos de discursos, os verdadeiros e os falsos ?
Adimanto_ Sim, existem.
Sócrates_ Ambos entrarão na nossa educação ou começaremos pelos falsos?
Adimanto_ Não estou entendendo.
Sócrates_ Nós não começamos contando fábulas para as crianças? Geralmente falsas , embora encerrem algumas verdades. Utilizamos essas fábulas para a educação das crianças antes de levá-las ao ginásio.
Adimanto_ É verdade.
Sócrates _ E não sabes que o começo, em todas essas coisas , é sempre o mais importante. Mormente para os jovens. Com efeito, é sobretudo nesse momento que os modelamos e que eles recebem a marca que desejamos imprimir-lhes.
Adimanto_ Com certeza.
Sócrates_ Portanto, parece-me que precisamos começar por vigiar os criadores de fábulas, separar as suas composições boas das más. Em seguida convenceremos as amas e as mães a contarem aos filhos as que tivermos escolhidos (…) Pois uma criança pode não diferenciar uma alegoria do que não é, e as opiniões que recebem nessa idade se tornam indeléveis e inabaláveis.
Adimanto: Tal regra me agrada.
Sócrates_ Então essa é a primeira regra e o primeiro modelo que devemos obedecer (para uma nova religião) nos discursos e nas composições poéticas: Deus não é a causa de todo, mas tão-sómente do bem (...)Assim, pois, a natureza demoníaca e divina é completamente estranha à mentira.
Adimanto_ Completamente
Sócrates_ Aceitas , então, essa segunda regra a respeito dos deuses, não são mágicos que mudam de forma e não nos confundem com mentiras, palavras ou atos.
A República de Platão _ Os pensadores, pag. 64 a 72.


II – JULIANO, imperador romano, assassinado (reinou entre 361 a 363 de nossa era).

Juliano _ Bispo (Melécio, de Alexandria), eu não queria essa guerra entre nós. Eu disse e estava sendo sincero: todos os cultos serão tolerados por mim . Não queremos nada além do que nos pertence.
Libânio _ Em alguns anos tenho certeza ( que Juliano) teria restabelecido as antigas religiôes. Os cristãos não oferecem o suficiente (para o povo), embora deva dizer que são bastantes ousados no modo como adaptam nossos mais sagrados festivais e rituais para seus próprios fins (…) Ora, estou perfeitamente disposto a concordar que o caminho dos cristãos é um dos caminhos para o conhecimento. Mas não o único, como dizem eles. Pois, se fosse, por que essa ânsia de roubar de nós? Não consigo ver nada de bom nesse sistema religioso, por mais que absorva nossos antigos costumes e use, para seus próprios fins o humor e a lógica dos helenos. Agora, nâo tenho dúvidas que os cristãos vencerão (…) é significativo que esse culto da morte esteja se firmando justamente quando os bárbaros estão a se reunir em nossas fronteiras.
Juliano, de Gore Vidal – Ed. Rocco - pag. 342 a 345.



III – VOLTAIRE , filósofo iluminista, 1694 a 1778, acusado de sacrilégio morto em 30 de maio.
Vários foram os sábios que se surpreenderam por não encontrarem no historiador (judeu) Flávio Josefo o menor rastro de Jesus Cristo(...) descreve até os mais íntimos pormenores os atos deste monarca (Herodes); todavia não tem uma palavra sobre a vida e da morte de Jesus; e esse historiador , que não dissimula nenhuma das crueldades cometidas por Herodes, nunca fala do massacre, por ele ordenado, de todas as crianças (quatorze mil) , em consequência da notícia que lhe chegar aos ouvidos de ter nascido um rei dos judeus (...) Guarda ainda silêncio sobre as trevas que cobriram a terra inteira, em pleno meio dia ,durante três horas, na morte do Salvador , acerca da enorme quantidade de sepulcros que a essa altura se abriram; e sobre a multidão de justos que ressucitara. Os estudiosos não param de exteriorizar a sua surpresa ao notarem que nenhum historiador romano falou de tais prodígios, acontecidos no reinado de Trajano perante os olhos de um governador romano e em frente a uma guarnição romana (…) Mas (talvez) Deus não quis que estas coisas divinas fosse escritas por mão profanas”.
Dicionário Filosófico, de Voltaire – Os Pensadores – pag.132.


IV -NIETZSCHE, filósofo existencialista, filólogo e historiador ,1844 a 1900.

Apenas quero mencionar de leve, aqui, o problema da origem do cristianismo. A primeira proposição é: o cristianismo só pode ser compreendido a partir da região onde se desenvolveu; não se trata de um movimento contra o instinto judeu, mas sim de sua consequência(...)Para usar a fórmula do Redentor: “a salvação vem dos judeus”. A segunda proposição: O tipo psicológico do Galileu, reconhecível até hoje apesar de sua própria degenerência (que é simultaneamente mutilado por traços estrangeiros); ele corresponde justamente ao que era necessário, ao tipo do salvador da humanidade. (...)Falsificado o conceito de Deus (do Deus hebreu, guerreiro e temível), falsificado o conceito de moral, (Moral como radical empobrecimento da fantasia, como “mau olhado “ para todas as coisas) o corpo sacerdotal judeu não parou por aí. A história inteira de Israel era desnecessária: portanto: fora com ela. (…) Essa falsificação bíblica é parte dessa documentação: com um escárnio sem igual por toda tradição e toda realidade histórica. Teríamos com muito mais dor esse ato de falsificação da história se milênios de interpretação eclesiástica da história não nos tivéssemos tornados tão apáticos a respeito das exigências de integridade dos historiadores”.
O anticristo- Maldição do Cristianismo, de Nietzsche_ Clássicos Econômicos Newton_ pag. 45 a 48.

V- Richard Dawkins, zoólogo e cientista contemporâneo, nasceu em 1941.

Na prática os escribas (a escrita representou um grande avanço na exatidão, em comparação com a memória e a tradição oral) são falíveis e não são imunes a desvirtuar sua cópia para fazê-la dizer coisas que eles (sem dúvida sinceramente) pensam que o documento original deveria ter dito. O mais célebre exemplo disso, meticulosamente documentado por teólogos alemães do século XIX, é a adulteração da história do Novo Testamento, para adequá-la as profecias do Antigo Testamento. Os escribas envolvidos provavelmente não tinham a intenção de ser embusteiros. Assim como os autores do Evangelhos, que viveram muito tempo depois da morte de Cristo, eles sinceramente acreditavam que Jesus fora a encarnação das profecias messiânicas do Antigo Testamento. Portanto, ele “sem dúvida” nascera em Belém e descendia de Davi. Se os documentos, inexplicavelmente, não afirmavam tais coisas, era consciencioso dever do escriba retificar a falha. Suponho que um escriba suficientemente devoto não teria considerado isso uma falsificação, do mesmo modo que não julgamos estar falsificando nada quando corrigimos automaticamente um erro de grafia ou um tropeço gramatical”.
A grande história da evolução, de Richard Dawkins – Companhia das Letras – pag. 37.

VI -Umberto Eco, filósofo e romancista – 1932 a 2016.

Procure, Carlo Maria Martini, para bem da discussão e do confronto em que acredita, aceitar, mesmo por um instante, a hipótese de que Deus não exista: que o homem , por um erro desajeitado do acaso, tenha surgido na Terra entregue a sua condição mortal e, como se não bastasse, condenado a ter consciência disso e, portanto, que seja imperfeitíssimo entre os animais (e permita-me o tom leopardino dessa hipótese). Esse homem, para encontrar coragem para esperar a morte, tornou-se forçosamente um animal religioso, aspirando construir narrativas capazes de fornecer-lhe um modelo uma explicação, uma imagem exemplar. E entre tantas consegue imaginar _ algumas fulgurantes, outras terríveis, outras ainda pateticamente consoladoras _ chegando à plenitude dos tempos, tem, em um momento determinado, a força religiosa, moral e poética de conceber o modelo do Cristo, do amor universal, do perdão dos inimigos , da vida oferta em holocausto pela salvação do outro. Se eu fosse um viajante proveniente das galáxias distantes e me visse diante de uma espécie que soube propor tal modelo, admiraria, subjugado, tanta energia teogônica e julgaria redimida esta espécie miserável e infame, que tantos horrores cometeu, apenas pelo fato de que conseguiu desejar e acreditar que tal seja verdade”.

O que creem os que não creem, de Umberto Eco e Carlos Maria Martini_ Editora Record _ pag. 89.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Questão de fé


Você acredita?

Você não acredita em saci.
Nem em fada-do-dente
nem em lobisomens ou em vampiros.
Meras lendas medievais. Certo?
Papai Noel e coelhinho da Páscoa
são infantilidades demais!
Nem as crianças creem neles.
Mas no Oriente existem crenças fantásticas
difíceis de serem acreditadas.
Deuses para todos os gostos
gerados por uma Trindade que se auto geriu:
Brahma, Vishinu e Shiva.
Eu também não acredito
em mãe-virgem
nem em passarinho engravinhador.
Também soa-me sem senso
um zumbi ressurecto
(surfista sem prancha
vinífero homeopático
padeiro eterno).
Mas, é incrível !
Até hoje, acredite, milhões
acreditam em tudo isso! Pode?