segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ao poeta Manoel de Barros


Homenagem a Manoel de Barros  * 19/12/1916 - 13/11/2014


(se vivo completaria cem,
parou nos noventa e oito, morreu sem letargia
lúcido, pois escrevia frases descascadas)

Papai Noel sempre se desfragmentando
e eu perdia encantamentos...
Sempre me foi mais lógico o saci!
A possibilidade da desconstrução dos dias.
O ridículo do momento é o moer de ossos
parecia que eu estava me desfazendo
como um poema mal arrumado. 
Passarinho sem noção indo contra o vento.
E o pensamento longe. 


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Saudades do Rio


O TEMPO É HOJE
(Uma pequena mensagem de despedida)



Este é o tempo da solidão futura:
Comungamos
alegrias
emoções, decepções
e pequenas comoções
que nos fizeram melhores.
É um tempo de reminiscências
premeditadas
tecidas com simpatia e companheirismo
onde divergimos, resgatamos fatos
compactuamos.
Hoje é um dia de saudades antecipadas
do adeus amigo
que, com certeza
será lembrado com alegria.
O hoje compartilhado será o amanhã
das suaves recordações
das lembranças felizes
que, se quisermos
ecoarão por muito tempo
na vida de todos nós.


10/05/2012

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Como Queríamos Comprovar

Apenas deduções

E= m.c2, onde:
E = Energia
m = massa
c2 = velocidade da luz elevada ao quadrado.
Todos sabemos que essa é a famosa fórmula de Einstein que contém toda a sua teoria geral da relatividade.
Além de um grande físico e matemático e considerado o maior gênio do século XX, ele era um pacifista, combatia a xenofobia, o racismo e a intolerância. E era ateu.
Daí, mesmo sem sermos matemático, nem físico, podemos deduzir as seguintes fórmulas:
M = r + p, onde:
r = racismo
p = preconceito
M= Marginalização
se racismo é ignorância e preconceitos são fobias
concluiremos que:
I = r.p2, onde I = Intolerância (ou Imbecilidade)
e, finalmente que:
I+ r+ p2 = B
onde, B= Bolsonaro. (Cqc).

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O LIXEIRO

Homenagem ao amigo Juca e a seu filho
José Marcos (Macao) “in memoria”
Já que estamos em novo ano é importante relembrar os amigos que se foram. Num pequeno e único livro editado postumamente pelos seus pais dá para sentir a delicadeza e profundidade do autor, morto muito jovem , e, com certeza, legaria-nos muito mais: " Talvez ao observarmos situações e objetos, estejamos observando somente uma parte oculta de nós mesmos.
Talvez nos falte isso: olharmos para a vida com a mesma segurança e tranquilidade que muita vezes nos falta, quando olhamos para o nosso íntimo."

Quando nossas ruas e
avenidas interiores ficam desertas
Ele aparece em horas oportunas
com sua pá já acostumada a coletar
os restos deixados; deixados por todos:
Restos de sonhos, restos de ilusões,
Restos de esperanças, restos de vida...
No seu carro se amontoam desordenadamente
palavras estragadas, pensamentos queimados,
rostos rasgados...
As ruas são largas, há muito trabalho.
Trabalhando sem cessar ele vai
limpando aos poucos a grande sujeira
deixada pelos que vivem...
E se espremem planos quebrados,
Amores perdidos, cacos de ideias...
Trabalha por um dia melhor,
Para uma vida melhor...
Ele limpa, mas os restos não se acabam,
Há algum tempo, ele pensa
serem infinitos esses restos;
Bueiros de restos, cestas de amarguras.
A noite segue silenciosa
e com ele, o seu trabalho
coletor de agonias.
José Marcos Reys Cardozo

terça-feira, 27 de outubro de 2015

À Prole Desdentada


Faróis
desembocam na boca
da noite-metal.
Escorre
nos paralelepípedos
translucidando a claridade noturna
o fétido óleo dos motores
a luzir
estragados
dentes-dinheiro
tragados nos bueiros dos shoppings
pinçados de tuas veias.

Otário proletário_ julgam
os intelectuaisputosburgueses_
quando sorris aos souvenires
que sugam o teu salário-suor
odor da cantilena neoliberal.

À eles
é fácil mutilar
um a um os teus sonhos
enquanto estão a dormir
obscenamente em berço esplêndido.

À ti,
cabe de lá derribá-los
com o ruído de seus reais pesadelos:
aluguéis aviltantes
copos de leite negados
salário-da-morte-mínima
que se escorrega
devagar pelas geladeiras vazias
para o esgoto das ruas quentes de mosquitos.

Vilipendiam-se
na social-demagogia a tua cidadania
Até quando
pagarás sem revolta
o assolamento das epidemias
na sorvida melancolia de seus dias?

agosto/97

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Entes Fantasmagóricos

ENTES FANTASMAGÓRICOS DE UM PASSADO TRISTE


Foram, antes de tudo, discretos.
Receberam uma educação sublime
(e, além do berço, alguma herança... ou falcatruas).
Fizeram ouvidos moucos aos acontecimentos políticos.
Votaram sempre a favor dos nossos algozes
mesmo quando havia no ar uma reviravolta possível.
Nunca ergueram a voz em protesto
nem gritaram contra injustiças.
Hoje quando perceberam
que,irreversivelmente as mudanças
se fizeram possíveis
dizem cinicamente: eu contribui com tudo isso.
Fizeram-se então, como fogo-fátuos
de pequenas miragens, presentes nas histórias alheias.
Tentam desfilar, ainda, como suprassumos da modernidade
e como oposição arrotam arrogâncias
apesar de não entenderem
porque o futuro de seus filhos
graças a eles, pode estar comprometido.
Se nutrem de golpes e se dizem democratas*
Canalhas! Canalhas! Canalhas!

Frases acrescidas em 2016

17/02/08

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Aos Idiotas

(do grego idiotis que significa aquele que despreza tudo que é público, alienado)

O idiota é um imbecil
não se deprime
pois se acha o máximo
julgando-se acima do bem e do mal
não se lamenta, nem se culpa
pois é desprovido de autocrítica
(em altos brados vangloria-se de seus próprios feitos)
não aceita conselhos
nem ouve a voz ao lado
mesmo que depois assuma
como suas, ideias alheias.
Normalmente tem alguma cultura
senão se escorregaria no limbo da ingenuidade
(prerrogativa dos loucos e dos bem-intencionados)
medíocre e chulo, não é digno de confiança
nem passível de pena e sim, desprezo.
O idiota é um estorvo social,
mas nunca perceberá isso.


                                                                                                         
 José Araujo
30/01/10